sábado, 15 de outubro de 2016

Síntese...construindo



   Existem várias teorias de aprendizagem, entre eles o Conectivismo. Mota (2009), destaca que a teoria do conectivismo de Siemens enfatiza que a aprendizagem “é, sobretudo e mais frequentemente, um processo com vários estádios e diferentes componentes”, sendo portanto um processo multidimensional, distribuídos por 4 quadro domínios: transmissão, emergência, aquisição e acreção (o que é acrescentado) 

   A aprendizagem por transmissão é baseada na aprendizagem tradicional, através de palestras. A aprendizagem  de emergência dá destaque a reflexão e cognição.A aprendizagem por aquisição, é exploratória, cabendo ao aluno definir o conhecimento necessário para atingir os objetivos pessoais e educacionais. A aprendizagem por acreção é contínua. Ocorre ao longo da vida, e os recursos empregados nesse processo são os mais variados possíveis, inclusive com projetos bem e mal sucedidos. 

    Mota (2009), destaca que segundo Siemens não existe uma forma de transmissão melhor que a outra. É preciso contextualizar o aprendizado,  e que o aprendizado seja parte da vida do aluno. Neste sentido as tecnologias passam a ser um facilitadoras para essa aprendizagem. O mesmo autor enfatiza que o Behaviorismo, o Cognitivismo ou o Construtivismo, são teorias de aprendizagem que não se beneficiavam dos recursos tecnológicos que existem atualmente. A aprendizagem segundo a teoria behaviorista serão lineares e focados na apresentação breve dos conteúdos e na avaliação rápida e voltada para a retenção do conhecimento transmitido. O professor possui todo o controle sobre o processo de formação e sobre o próprio ritmo da aprendizagem. 

    Já na perspectiva da Teoria Histórico-Cultural, a aprendizagem por meio da mediação dos instrumentos culturais, sejam eles simbólicos ou concretos. Segundo Vigotski (2007), “o bom aprendizado é somente aquele que se caminha-se ao desenvolvimento”.Essa teoria é adequada ao planejamento e desenvolvimento de cursos virtuais que visem o desenvolvimento de habilidades e competências relacionadas à aquisição de informações e reflexão individual. Além disso, o fato de considerar a relação entre sujeito e ambiente na construção do conhecimento, favorece o planejamento de atividad es que levam em conta os diferentes estilos de aprendizagem, pois valoriza a experiência do sujeito no seu contexto cultural. 

    Somos rodeados de relações interpessoais e somos sujeitos sociais. Os desafios do mundo nos estimulam a lutar constantemente para que possamos mudar a realidade que nos cerca. A relação com o outro acontece com o diálogo. A comunicação é um processo fundamental para o estabelecimento de parcerias. O trabalho em equipe é uma forma de se tornar mais leve aquilo que era pesado, compartilhando saberes, somando vivências em prol de um objetivo comum do grupo. O sujeito deve desenvolver autonomia para a construção da sua história que envolve o outro. Carregamos a história de nossa infância, adolescência com posturas familiares e trocas de vivências passadas que perpassam nossa forma de enfrentamento em relação aos desafios do mundo. Ao se relacionar com o outro estabelecemos uma ponte de troca de experiências. 
     Segundo Alencar (2005), Paulo Freire faz severas críticas como a tecnologia vem sendo apresentada [...] Não se trata, acrescentemos, de inibir a pesquisa e frear os avanços, mas de pô-los a serviço dos seres humanos. A aplicação de avanços tecnológicos com o sacrifício de milhares de pessoas é um exemplo a mais de quanto podemos ser transgressores da ética universal do ser humano e o fazemos em favor de uma ética pequena, a do mercado, a do lucro (FREIRE, 1996a, p. 147-148). 

   Assim, na visão freiriana, a função dos avanços tecnológicos como parte do desenvolvimento ontológico do ser humano e o perigo do uso, sem uma preocupação com a dimensão humanizada do ser humano.É evidente que a mudança do processo educacional não está no uso do modelo tecnológico, mas na mudança das estratégias pedagógicas, e isso dependerá das políticas educacionais, do professor e da equipe pedagógica, e não somente do especialista em informática. 

       Somos seres históricos, carregados de experiências e de acordo com Paulo Freire (2006), a história morre quando o homem morre. Somos cheios de sentimentos, crenças, estamos abertos ao diálogo estando sempre em constante formação e busca pela aprendizagem. As teorias dialógicas apresentam a subjetividade, a reflexão interna, ações humanas solidárias buscando sempre uma transformação social.Assim, defender a promoção do diálogo, como atividades em grupo, ações sociais, e essa troca coletiva de saberes promove aprendizes mútuos, os espaços educativos se tornam mais democráticos e dialógicos. Os envolvidos neste processo têm liberdade de expor suas ideias de forma horizontal sem medo e uma cadeia de diálogo acontece promovendo o desenvolvimento do saber humano. 

   De acordo com Ferreira (2005, p.29),  a formação do aluno deve passar por um processo que lhe dê acesso à palavra. Essas informações nos dão clareza das transformações procedimentais, comportamentais e conceituais que devem ser implementadas no processo de aprendizagem envolvendo além de fundamentos científicos e tecnológicos a incorporação de valores éticos e morais em relação à vida


Referências: 

ALENCAR, A. F. de O pensamento de Paulo Freire sobre a tecnologia: traçando novas perspectivas. Recife, 2005 – V Colóquio Internacional Paulo Freire. Disponível em: < http://www.paulofreire.org.br/asp/template.asp? secao=coloquios&sub=5coloquio>. Acesso em: 15.02.2010.  
Artigo disponível em Disponível em: http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/o-que-te-motiva/2014/01/13/tecnologia-e-humanidade Acesso em: 14/10/2016 
EIDT, Nadia Mara; TULESKI, Silvana Calvo. O método da Psicologia Histórico Cultural, e suas implicações para se compreender a subjetividade humana. In: CIPSI- Congresso Internacional de Psicologia. Maringá, 2007, Maringá. ANAIS: CIPSI Congresso Internacional de Psicologia. Maringá: UEM, 2007. 

Ferreira, A.C. (2005). O papel da educação em ciências e tecnologia no Brasil: um debate. Ciência e Cultura, v.57, nº. 4, p. 28 – 30. 

FREIRE, Paulo. Vídeo: Seminário internacional: O simbólico e o diabólico. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=vWngCJZ04DI&feature=youtu.be Acesso em 04/08/2014. 

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa . Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996. 

OLIVEIRA, Martha Kohl de. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo sócio-histórico. 4.ed. São Paulo: Scipione, 2005. 
VIGOTSKI, Lev S. A formação social da mente. 7.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007. 


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