Estamos caminhando para um grande aprendizado. Vimos neste momento que o saber é um direito de todos, e, que o desenvolvimento cognitivo é de cada sujeito . Desta forma, a evolução da tecnologia é para todos. O que percebe-se é que as tensões geradas pelas diferentes visões sobre a tecnologia e a educação, como a visão instrumental e o determinismo tecnológico precisam ser complementares, para evitar uma dicotomia infértil que não aponta caminhos para um novo pensar e um novo agir com relação aos desafios que já faziam parte do contexto escolar.
Existe a questão do individuo de ser e pertencer ao mundo em que vive. Para ser e pertencer em mundo que tem avanços tecnológicos como um construto humano, é necessário dar condições de acesso à essas inovações, bem como, apresentá-las de forma que o sujeito interaja com esses instrumentos levando em consideração suas percepções, seus sentimentos, sua historicidade e sua cultura. Ficamos lentos na forma que a tecnologia acontece, devido as restrições econômicas, sociais e interesses do sistema neoliberal nos impõe. O que é interessante a "massa" ter acesso? Por que a visão de que a tecnologia não pode ser para todos é tão propagada nos meios de comunicação? Por que a tecnologia deve ser apresentada como infalível ou neutra?
Essas perguntas servem como motivação para conhecer os textos, vídeos, filmes e diferentes cenários que dispomos nesse blog. Aqui, no entanto, os tripulantes da fase Turbulência, grupo B, não deixam resposta prontas, por acreditarem que o caminho é sempre parte de uma possível resposta. Você, assim como nós, temos a melhor máquina já criada para pensar, agir, sentir: o cérebro humano . Então, apertem seus cintos e sejam bem-vindos ao nosso blog. ;-)
Existem várias teorias de aprendizagem, entre eles o Conectivismo. Mota (2009), destaca que a teoria do conectivismo de Siemens enfatiza que a aprendizagem “é, sobretudo e mais frequentemente, um processo com vários estádios e diferentes componentes”, sendo portanto um processo multidimensional, distribuídos por 4 quadro domínios: transmissão, emergência, aquisição e acreção (o que é acrescentado)
A aprendizagem por transmissão é baseada na aprendizagem tradicional, através de palestras. A aprendizagem de emergência dá destaque a reflexão e cognição.A aprendizagem por aquisição, é exploratória, cabendo ao aluno definir o conhecimento necessário para atingir os objetivos pessoais e educacionais. A aprendizagem por acreção é contínua. Ocorre ao longo da vida, e os recursos empregados nesse processo são os mais variados possíveis, inclusive com projetos bem e mal sucedidos.
Mota (2009), destaca que segundo Siemens não existe uma forma de transmissão melhor que a outra. É preciso contextualizar o aprendizado, e que o aprendizado seja parte da vida do aluno. Neste sentido as tecnologias passam a ser um facilitadoras para essa aprendizagem. O mesmo autor enfatiza que o Behaviorismo, o Cognitivismo ou o Construtivismo, são teorias de aprendizagem que não se beneficiavam dos recursos tecnológicos que existem atualmente. A aprendizagem segundo a teoria behaviorista serão lineares e focados na apresentação breve dos conteúdos e na avaliação rápida e voltada para a retenção do conhecimento transmitido. O professor possui todo o controle sobre o processo de formação e sobre o próprio ritmo da aprendizagem.
Já na perspectiva da Teoria Histórico-Cultural, a aprendizagem por meio da mediação dos instrumentos culturais, sejam eles simbólicos ou concretos. Segundo Vigotski (2007), “o bom aprendizado é somente aquele que se caminha-se ao desenvolvimento”.Essa teoria é adequada ao planejamento e desenvolvimento de cursos virtuais que visem o desenvolvimento de habilidades e competências relacionadas à aquisição de informações e reflexão individual. Além disso, o fato de considerar a relação entre sujeito e ambiente na construção do conhecimento, favorece o planejamento de atividad es que levam em conta os diferentes estilos de aprendizagem, pois valoriza a experiência do sujeito no seu contexto cultural.
Somos rodeados de relações interpessoais e somos sujeitos sociais. Os desafios do mundo nos estimulam a lutar constantemente para que possamos mudar a realidade que nos cerca. A relação com o outro acontece com o diálogo. A comunicação é um processo fundamental para o estabelecimento de parcerias. O trabalho em equipe é uma forma de se tornar mais leve aquilo que era pesado, compartilhando saberes, somando vivências em prol de um objetivo comum do grupo. O sujeito deve desenvolver autonomia para a construção da sua história que envolve o outro. Carregamos a história de nossa infância, adolescência com posturas familiares e trocas de vivências passadas que perpassam nossa forma de enfrentamento em relação aos desafios do mundo. Ao se relacionar com o outro estabelecemos uma ponte de troca de experiências. Segundo Alencar (2005), Paulo Freire faz severas críticas como a tecnologia vem sendo apresentada [...] Não se trata, acrescentemos, de inibir a pesquisa e frear os avanços, mas de pô-los a serviço dos seres humanos. A aplicação de avanços tecnológicos com o sacrifício de milhares de pessoas é um exemplo a mais de quanto podemos ser transgressores da ética universal do ser humano e o fazemos em favor de uma ética pequena, a do mercado, a do lucro (FREIRE, 1996a, p. 147-148).
Assim, na visão freiriana, a função dos avanços tecnológicos como parte do desenvolvimento ontológico do ser humano e o perigo do uso, sem uma preocupação com a dimensão humanizada do ser humano.É evidente que a mudança do processo educacional não está no uso do modelo tecnológico, mas na mudança das estratégias pedagógicas, e isso dependerá das políticas educacionais, do professor e da equipe pedagógica, e não somente do especialista em informática. Somos seres históricos, carregados de experiências e de acordo com Paulo Freire (2006), a história morre quando o homem morre. Somos cheios de sentimentos, crenças, estamos abertos ao diálogo estando sempre em constante formação e busca pela aprendizagem. As teorias dialógicas apresentam a subjetividade, a reflexão interna, ações humanas solidárias buscando sempre uma transformação social.Assim, defender a promoção do diálogo, como atividades em grupo, ações sociais, e essa troca coletiva de saberes promove aprendizes mútuos, os espaços educativos se tornam mais democráticos e dialógicos. Os envolvidos neste processo têm liberdade de expor suas ideias de forma horizontal sem medo e uma cadeia de diálogo acontece promovendo o desenvolvimento do saber humano.
De acordo com Ferreira (2005, p.29), a formação do aluno deve passar por um processo que lhe dê acesso à palavra. Essas informações nos dão clareza das transformações procedimentais, comportamentais e conceituais que devem ser implementadas no processo de aprendizagem envolvendo além de fundamentos científicos e tecnológicos a incorporação de valores éticos e morais em relação à vida.
Referências: ALENCAR, A. F. de O pensamento de Paulo Freire sobre a tecnologia: traçando novas perspectivas. Recife, 2005 – V Colóquio Internacional Paulo Freire. Disponível em: < http://www.paulofreire.org.br/asp/template.asp? secao=coloquios&sub=5coloquio>. Acesso em: 15.02.2010. Artigo disponível em Disponível em: http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/o-que-te-motiva/2014/01/13/tecnologia-e-humanidade Acesso em: 14/10/2016 EIDT, Nadia Mara; TULESKI, Silvana Calvo. O método da Psicologia Histórico Cultural, e suas implicações para se compreender a subjetividade humana. In: CIPSI- Congresso Internacional de Psicologia. Maringá, 2007, Maringá. ANAIS: CIPSI Congresso Internacional de Psicologia. Maringá: UEM, 2007. Ferreira, A.C. (2005). O papel da educação em ciências e tecnologia no Brasil: um debate. Ciência e Cultura, v.57, nº. 4, p. 28 – 30. FREIRE, Paulo. Vídeo: Seminário internacional: O simbólico e o diabólico. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=vWngCJZ04DI&feature=youtu.be Acesso em 04/08/2014. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa . Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996. OLIVEIRA, Martha Kohl de. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo sócio-histórico. 4.ed. São Paulo: Scipione, 2005. VIGOTSKI, Lev S. A formação social da mente. 7.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
Show de Truman Show de Truman: Um homem tem sua vida inteira filmada e transmitida ao vivo pela TV, 24 horas por dia via satélite para todo o mundo, desde o seu nascimento.
O filme começa a partir do episódio 10.909 desde o lançamento do Show. É o 30º ano ininterrupto de transmissão do "show" da vida de Truman Burbank como a primeira experiência de um "show real", pois Truman desconhece ser um personagem. Truman faz o “papel” de um corretor de seguros, é casado, e possui um amigo de infância, que sempre chega a sua casa com cervejas. Todos os dias cumprimenta seus vizinhos, da mesma forma, vai ao jornaleiro comprar revistas para sua mulher, encontra dois senhores que sempre prometem procurá-lo na seguradora.
Tudo acontece num grande estúdio, na verdade, o maior estúdio cinematográfico do mundo, que ao lado da Muralha da China é a única construção humana visível do espaço, é uma ilha chamada Seahaven: as casas, as ruas, os automóveis, o céu, o mar, a lua, o anoitecer, e a chuva, tudo se passa dentro de uma enorme cúpula, mas Truman não conhece esses limites. Ele nunca viajou, nunca saiu de sua cidade, nunca ultrapassou suas margens. Cerca de 5 mil câmeras, filmam cada movimento de Truman, milhares de pessoas trabalham dia e noite para que o show funcione com total verossimilhança com a realidade. É um mundo dentro de outro mundo.
O criador do programa é Christof. O programa é transmitido sem nenhuma interrupção, nem mesmo intervalo publicitário. A publicidade é feita de maneira diferente, explica Christof em uma das poucas entrevistas que concede que “tudo está à venda” o que os atores comem, roupas, até mesmo as casas em que vivem. O entrevistador continua a entrevista com Christof e pergunta “por que Truman nunca pensou até agora em questionar a natureza do mundo em que vive?” Christof reponde dizendo que “aceitamos a realidade do mundo tal qual ela nos é apresentada, Truman pode ir embora quando quiser." Se tivesse algo mais que uma mínima ambição, se estivesse absolutamente decidido a descobrir a verdade, não poderíamos impedi-lo. Truman prefere a sua cela.
O Show de Truman é uma variação muito interessante do Mito da Caverna de Platão, mas difere da alegoria de Platão em que apenas um prisioneiro se liberta para abandonar as sombras da caverna e conhecer o mundo real. No filme, há apenas um prisioneiro, e os demais atores que entram e saem dela. A fala do diretor do Show, Christof, está de acordo com a ideia do Mito da Caverna: poucos são os inclinados a distinguir entre o mundo das aparências e o mundo das realidades autênticas e poucos são os que se perguntam se vivem uma espécie de jogo de fantoches. Mas podemos imaginar, que se Platão visse o filme ele diria que nem mesmo Truman, deixando de considerar como reais as sobras que passam na parede e tivesse descoberto os objetos que produzem essas sombras, não teria saído da caverna, não o que Platão considera como caverna. Teria que existir um segundo despertar por Truman em direção ao mundo das Formas, um mundo mais verdadeiro que o nosso.
O livro VII da obra “A República” de Platão, mostra homens acorrentados, com o rosto voltado para o fundo de uma caverna, onde só enxergam sombras projetadas pelo fogo que há atrás deles, sombras que eles interpretam como as únicas realidades existentes. Se um deles sair da caverna, primeiramente, ficará ofuscado e precisará ser constrangido pelo hábito a ver as sombras, depois os objetos e depois o próprio Sol: se voltar para a caverna, não distinguirá mais nada, e os prisioneiros rirão dele e poderão até matá-lo.
É uma alegoria das relações entre o homem e os objetos da linha: nós somos esses prisioneiros; a caverna é o mundo sensível; o fogo que projeta as sombras é o sol; a saída da caverna é a ascensão para o inteligível: o homem liberto, ao voltar para a caverna, é a imagem do filósofo, escarnecido pelos ignorantes. A educação é essa ascensão da alma, à qual a cidade deve levar os mais dotados não para a felicidade deles, mas para que desçam de novo a fim de governar a cidade. Ficha Técnica Título Original: The Truman Show Gênero: Drama Tempo de Duração: 102 minutos Ano de Lançamento (EUA): 1998 Site Oficial: www.truman-show.com Estúdio: Paramount Pictures Distribuição: Paramount Pictures / UIP Direção: Peter Weir Roteiro: Andrew Niccol Produção: Edward S. Feldman, Andrew Niccol, Scott Rudin e Adam Schroeder Música: Philip Glass e Burkhart von Dallwitz Direção de Fotografia: Peter Biziou Desenho de Produção: Dennis Gassner Direção de Arte: Richard L. Johnson Figurino: Marilyn Matthews Edição: William M. Anderson e Lee Smith Efeitos Especiais: The Computer Film Company / Cinesite Hollywood / EDS Digital Studios
Fonte: Site Só Filosofia Disponível em: http://www.filosofia.com.br/vi_filme.php?id=15
Trocas a partir, do desenho dos Simpsons enviado pelo professor Wagner.
Essa é a grande realidade. Negamos os avanços tecnológicos que não sabemos utilizá-lo. Mas, quando nos pedem algo de "nossa cabeça" acabamos utilizando as tecnologias que dominamos o seu uso. Além disso, utilizamos tecnologia desde da hora de acordar: despertador, caneta, enxaguante bucal, taça, rádio, TV, bola para pilates, entre outros...mas o que nos faz reconhecer equivocadamente.
Ainda, é recorrente o mito que para ser tecnologia tem que ser algo contemporâneo.
Postada por um dos tripulantes no whatsapp da turma
Faço uma crítica, como mãe, infelizmente, em nome do sucesso individualista, que devemos conquistar na vida profissional e pessoal, estamos esquecendo do sucesso da individuação dos sujeitos. Neste caso, as crianças, antes para os mais abastado eram delegadas às amas-de-leite, depois com a revolução industrial delegadas ao trabalho escravos, depois às babás, depois as TV assumiu o papel de " cuidadora", depois foi a era dos Atari, Nintendo.
Agora estamos na fase de delegar a educação dos nossos filhos aos PlayStation, aos celulares e tablets. Enfim, quantos pais aproveitam das inovações tecnológicas para satisfazer a vontade das crianças, aliando o útil à necessidade de ter tempo maior, amenizando a sua consciência em não ter tempo para brincar com outros tipos de brincadeiras que exigem uma interatividade física? É fácil culpar a tecnologia, quando nos convêm!
Segundo Vigotski (2007), “o bom aprendizado é somente aquele que se caminha-se ao desenvolvimento”. O aprendizado acontece com o desenvolvimento mental e processos de desenvolvimento acontecem por meio das funções psicológicas culturalmente organizadas. A aprendizagem acontece quando, a partir da atuação do sujeito aprendiz sobre o ambiente, ocorrem descobertas que levam ao aprimoramento e a uma nova adaptação das estruturas mentais desse sujeito.
Conforme Oliveira (2005), o ensino precisa ser organizado com procedimentos adequados, de maneira tal, que possibilite aprendizagens significativas, as quais promovam o desenvolvimento das funções psíquicas dos educandos conforme Vigotski defende, já que a aprendizagem é o motor do desenvolvimento. O psiquismo humano inicia onde termina a evolução biológica, sendo essa linha do desenvolvimento histórico ou cultural da conduta do homem um processo que deixa de ser naturalizado e que os indivíduos passam a compreender que quanto mais ensino, mais aprendizagem, mais desenvolvimento.
O livro Pedagogia da Autonomia traz reflexões acerca da postura dos educadores enquanto seres críticos, desafiadores, reflexivos. Todo professor é aprendiz. As relações de aprendizagem devem propiciar uma relação horizontal de busca do novo. Devemos estar abertos para o novo, a aceitação do diferente com humildade. O respeito em relação à autonomia do educando deve ser constante. Todo ser é repleto de experiências, de histórias, de vivências. Devemos motivar ricas trocas de experiências. Manter uma postura ética e justa, isenta de preconceitos e discriminação promovendo assim relações de trocas de saberes pautado no respeito e no diálogo. Paulo Freire valoriza a troca de experiências tanto do docente quanto do discente. “Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”. A preocupação não deve ser apenas transmitir conteúdos, se caracterizando em um ensino conteudista, mas o educador deve estar voltado em uma prática em que faz seu educando a pensar, a criticar, analisar, questionar, perguntar e instigar, métodos estes que devem ser implantados em sala de aula, fazendo com que os alunos se tornem cidadãos críticos e autônomos na sociedade vigente (FREIRE, 2006).
De acordo com Ferreira (2005, p.29), a formação do aluno deve passar por um processo que lhe dê acesso à palavra. Essas informações nos dão clareza das transformações procedimentais, comportamentais e conceituais que devem ser implementadas no processo de aprendizagem envolvendo além de fundamentos científicos e tecnológicos a incorporação de valores éticos e morais em relação à vida. Veja alguns pensadores dessa teoria... https://flic.kr/p/NcXfsD
Referências: FERREIRA, A.C. (2005). O papel da educação em ciências e tecnologia no Brasil: um debate. Ciência e Cultura, v.57, nº. 4, p. 28 – 30. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa . Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996. OLIVEIRA, Martha Kohl de. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo sócio-histórico. 4.ed. São Paulo: Scipione, 2005. VIGOTSKI, Lev S. A formação social da mente. 7.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
Envoltos em uma era diferente de tudo que já vivemos, em que o acesso às mais diversas fontes de informação e interação estão a um click do nosso alcance. Crescem as preocupações com os resultados desse fenômeno (tecnologia) na vida dos seres humanos a longo prazo.
Não há dúvidas dos benefícios que a inserção da tecnologia trouxe em todos os espaços em que o ser humano interage como, a possibilidade de inovação; estímulo à criatividade; facilitação do processo de cooperação; autonomia no processo de captura, apuração e aprofundamento de conteúdo e consequentemente maior ganho em conhecimento; desenvolvimento do lúdico; operacionalização multitarefa, dentre diversos outros pontos que poderíamos enumerar (OYAMA, 2011).
No entanto, pesquisas recentes vêm demonstrando alterações no comportamento humano, que já se tornaram preocupantes e que podem nos levar a grandes consequências se continuarmos progredindo em direção a elas. Na verdade, talvez o que mais assuste é que não se tenha a dimensão exata das mudanças que podem surgir.
Dentre as questões que mais tem chamado a atenção é o crescente estímulo a busca de uma falsa identidade por meio das redes. O aumento do número de programas, que acabam por impulsionar esse tipo de comportamento como, Photoshops e aplicativos derivados, que mudam a imagem das pessoas, acrescentando filtros e ferramentas em que pode-se afinar, aumentar, esticar e puxar, tem levado diversas pessoas a uma imagem distorcida da realidade, uma imagem onde o eu não é suficiente .
Essa busca incessante por um padrão de beleza perfeito, fama, reconhecimento e likes, fazem com que muitos de nossos jovens, e porque não dizer, adultos, desenvolvam problemas sérios de distúrbio de personalidade. E isso acaba gerarando pessoas cada vez mais superficiais e dependentes da tecnologia, provocando um isolamento do mundo real.
A privacidade é outro ponto que tem chamado atenção e criado muito receio entre as pessoas. Questionamentos como quem tem o controle? Quem fiscaliza? Para onde vão as informações que registramos na rede? Elas são deletadas? São dúvidas que crescem a cada dia. Somente este ano, fomos noticiados diversas vezes de invasão da privacidade por meio da investigação de certas mídias. Onde está nossa privacidade, o nosso livre arbítrio?
O mundo está cada vez mais imediatista, as pessoas não tem mais paciência com a espera, não sabem contemplar, não desenvolvem comunicação produtiva e os relacionamentos pessoais andam ficando cada dia mais superficiais.
Além de todos esses aspectos, outra questão que tem sido motivo de estudo é a sobrecarga cognitiva. Lévy (2010) já relatava que a inteligência coletiva pode provocar sobrecarga cognitiva. O acesso demasiado a informações e a exposição a muitos estímulos tem deixado as pessoas cada vez mais ansiosas, estressadas e angustiadas.
Nosso cérebro tem ficado sobrecarregado com a quantidade de tempo exposto a incitações. Enquanto acessamos nosso perfil no face, está aberta a caixa de e-mails, o blog favorito, a música que mais gostamos passa no youtube, o whatsapp bombando com a chegada de 150 mensagens de diversos grupos que participamos, e ainda uma pessoa deseja nossa atenção para contar como foi o dia Ou seja, uma quantidade enorme de respostas serão enviadas aos estímulos ofertados. São tantas coisas que precisam ser pensadas que o cérebro está sobrecarregado.
O pior de tudo é que nossas crianças estão se desenvolvendo neste ambiente extremamente convidativo, mas que não se permite o descanso mental, por isso, vemos cada vez mais crianças agitadas e estressadas.
Nesse paradoxo, a educação, que já sofre por correr atrás do prejuízo de ter se fechado dentro de si, agora precisa além de aprender a lidar com estas ferramentas, lidar com este novo jovem que está louco, vidrado, neste mundo de possibilidades e satisfação e não tem paciência para nos ouvir.
E o professor? O professor, meu caro, precisa encontrar o seu valor. Precisa aprender a ter humildade de reconhecer que o conhecimento está ai para ser compartilhado e a partir de então fazer as conexões necessárias. Mas o que diremos então? Somos reféns da capacidade evoluída das máquinas? Não, pelo contrário. Elas não foram criadas para nos substituir e subjugar, antes, estão a nosso serviço. Caberá ao professor experiência, a exploração, o aperfeiçoamento e as tentativas de cada dia, para criar possibilidades de maneira consciente e inserir seus alunos neste mundo, fazendo as ponderações necessárias, afim de que esta criança, jovem, adolescente e adulto não se perca e se torne uma vítima da tecnologia.
Ademais, meus amigos, sigamos na luta, na espreita, observando e caminhando, escolhendo e ponderando sobre como estamos levando nosso estilo de vida. E ao sinal de qualquer turbulência, que possamos parar e refletir sobre quais escolhas erradas estamos fazendo. Mas que nada tire o prazer de uma boa conversa, de um abraço acolhedor, de um sorriso sincero, da contemplação do universo e da aceitação de que não somos perfeitos, mas em nossa imperfeição a perfeição existe. Somos inteiramente reais!
Referências : OYAMA, Daniel D. Educação e Cibercultura: Pontos positivos e negativos. São Paulo. Faculdade de Tecnologia de São Paulo. 2011.
As
autoras, Peixoto e Araújo (2012) fazem um estudo analisando os
fundamentos do discurso predominantes sobre as relações entre as
tecnologias e a educação. Elas tomam por base um estado da arte
realizado sobre os usos do computador na educação escolar, com
recorte, no período de 1997 a 2007 no Brasil. Nesse período, elas
encontram 107 trabalhos relacionados a essa temática e a referência
a 1.330 autores.
Com
olhares diferenciados, as autoras Peixoto e Araújo (2012) conduzem à
reflexão que busca apoio teórico em um descolamento dos discursos
habituais sobre o uso das tecnologias em educação: tanto aqueles
que se baseiam nas prescrições normativas para a incorporação dos
instrumentos tecnológicos (visão instrumental), quanto aqueles que
impõem as TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) como uma fatalidade no seio das escolas (determinismo
tecnológico). O corpus total foi objeto de análise de conteúdo,
indicando as categorias: o computador como recurso didático
pedagógico e o computador como recurso político-pedagógico.
Para
tal, Peixoto e Araújo (2012) utilizaram-se como referência os
autores que se repetem em, pelo menos, nove dos textos da amostra
trabalhada, indicados a seguir por frequência de citação: 1)
Pierre Lévy; 2) Paulo Freire; 3) Lev Vigotski; 4) Manuel Castells;
5) Maria Luiza Belloni; Joana Peixoto & Cláudia Helena dos
Santos Araújo; 6) Boaventura de Sousa Santos; 7) Marco Silva; 8)
José Manuel Costas Moran; 9) Antonio Nóvoa; 10) Nelson De Luca
Pretto; 11) Raquel Goulart Barreto; 12) Jürgen Habermas; 13) Edgar
Morin; 14) Mikhail Bakhtin; 15) Rena M. Palloff; 16) José Armando
Valente; 17) Michel Foucault; 18) Jean Piaget; 19) Keith Pra
(PEIXOTO; ARAÚJO, 2012).
A
grande contribuição desse artigo é apontar caminhos em que as
pesquisas em tecnologia educação foram construídas, em um espaço
temporal, e sendo publicizadas e utilizadas sem reconhecer nos
discursos dos autores, mais recorrentes nessas obras, que as defendem,
sem perceber analiticamente e criticamente ,controvérsias dos/nos
seus próprios discursos. Como uma visão salvacionista sobre o uso
da tecnologia na escola; com argumentação de autores que se
apropriam mais nos conhecimentos da TIC e que é usado sem uma
interpretação adequada para o ambiente escolar. Esquecendo que a
tecnologia, pode servir, também, para massificar, alienar e manter
um sistema econômico que se alicerça no consumismo. A visão
da tecnologia como construto humano serve para
todos, não esquecendo que os avanços tecnológicos não são neutros e
representam o interesse de uma minoria abastada no mundo, e que, na
maioria das vezes, quando o seu uso tem uma tentativa de
universalização,no sentido de ser acessível para todos, é
apresentada os componentes que serviram ao interesse da mão
invisível do mercado. Como exemplo, podemos tirar o Facebook, com
tantas maneiras de interatividade para o desenvolvimento autônomo e
cognitivo dos seres humanos, pela visão reducionista e com objetivos
bem delineados pelos seus responsáveis, criou-se uma alienação em
seu uso. Serve, geralmente, para ser uma revista eletrônica
individual, em que o importante é a ostentação. Ao invés, de "pão
e circo", para alienar as pessoas e proporcionar certo
sentimento pseudo de felicidade, estamos utilizando as "tecnologias
em redes". A ideia não é criar uma dicotomia, nas categorias
apresentadas por Peixoto e Araújo de (2012), entre a visão
instrumental e o determinismo tecnológico, e, sim, fazer uma
complementaridade entre suas contribuições, de forma que o ser
humano não seja confundido como maquina ou inferiorizado por não
ter acesso à mesma.
Mota (2009) destaca que a teoria do conectivismo de Siemens enfatiza que a aprendizagem “é, sobretudo e mais frequentemente, um processo com vários estádios e diferentes componentes”, sendo portanto um processo multidimensional, distribuídos por 4 quadro domínios: transmissão, emergência, aquisição e acreção (o que é acrescentado):
- A aprendizagem por transmissão é baseada na aprendizagem tradicional, através de palestras.
- A aprendizagem emergência dá destaque a reflexão e cognição.
- A aprendizagem por aquisição, é exploratória, cabendo ao aluno definir o conhecimento necessário para atingir os objetivos pessoais e educacionais.
- A aprendizagem por acreção é contínua. Ocorre ao longo da vida, os recursos empregados nesse processo são os mais variados possíveis, inclusive com projetos em mal sucedidos.
Mota (2009) destaca que segundo Siemens não existe uma forma de transmissão melhor que a outra. É preciso contextualizar o aprendizado para que seja parte da vida do aluno, tornando um facilitador para essa aprendizagem.
Dessa forma, o Behaviorismo, o Cognitivismo ou o Construtivismo, são teorias de aprendizagem que não se beneficiavam dos recursos tecnológicos que existem atualmente.
AGULLAR, A. M. M; GOMÉZ, P. N. Nuevas formas de aprender: el conectivismo. Disponível em: http://www.iniciativasocial.net/?p=288. Acesso em: 12 Out. 2016
O presente artigo, da revista Exame, age como um moderador de conceitos. Traz uma reflexão sobre a importância da tecnologia nos meios de comunicação e na vida cotidiana como um facilitador, já que relata que o excesso de tecnologia vem prejudicando a vida de muitas pessoas, tanto na dimensão das relações sociais, quanto na sua saúde.
Ele revela, também, a ideia de necessidade, refletindo a tecnologia como alicerce a evolução do ser humano, mas mostra que seu uso irrestrito, sem responsabilidade, pode causar males. A integração das realidades do mundo real com o imaginário é algo que não tem como mais voltar.
Na narrativa de David fundador da The School of Life, lembrou que " perdemos o poder da lentidão, por exemplo, de cultivar o pensamento lento, perdemos também a alegria da imperfeição. Afinal, estamos longe de sermos perfeitos seja no que for....acabando com a nossa privacidade, desrespeitando nosso ritmo psíquico, biológico e afetando até mesmo nossa saúde"(REVISTA EXAME, 2014).
Mas no belo findar, nos posta a pensar que a tecnologia foi criada pelo homem, seu principio e lógica hegemônica. Logo, somos melhores do que ela, e ela torna-se um auxilio a nossa evolução consciente. E de acordo com a definição dos livros de computação, "é o Elo entre o Homem e a Máquina. "
Analisando um artigo de Maurício Dias Pinto (saiba mais) podemos perceber que o é feito a partir dos resultados de pesquisa de mestrado de Anderson Fernandes de Alencar. Ele fala sobre as perspectivas e apontamentos de Paulo Freire sobre as inovações tecnológicas. Mostra por meio de trechos de Paulo Freire que não devemos demonizar os avanços tecnológicos, por fazer parte do desenvolvimento humano.
No entanto, não devemos divinizá-los como algo maior que a própria dignidade humana. Reflete numa lógica freiriana que os avanços tecnológicos, servem atualmente, para os interesses do sistema capitalista, em que o opressor utiliza-se desses instrumentos para a manutenção do mercado, o que gera muitas desigualdades sociais. É um artigo interessante, que argumenta os perigos da tecnologias, numa visão freiriana, por não estar realmente a serviço dos seres humanos. Segundo Alencar (2005), Paulo Freire faz severas críticas como a tecnologia vem sendo apresentada [...] Não se trata, acrescentemos, de inibir a pesquisa e frear os avanços, mas de pô-los a serviço dos seres humanos.
A aplicação de avanços tecnológicos com o sacrifício de milhares de pessoas é um exemplo a mais de quanto podemos ser transgressores da ética universal do ser humano e o fazemos em favor de uma ética pequena, a do mercado, a do lucro (FREIRE, 1996a, p. 147-148).
Na visão freiriana, a função dos avanços tecnológicos como parte do desenvolvimento ontológico do ser humano e o perigo do uso, sem uma preocupação com a dimensão humanizada do ser humano. Alencar (2005) evidencia contribuições de Freire sobre a importância do uso das inovações tecnológicas e midiáticas em vários campos do conhecimento, e principalmente, a importância do uso de tecnologia para os educadores. Alencar (2005) reflete que, uma última crítica de Freire à tecnologia encontrada nos livros: "Educação e Mudança de 1976" e "Sobre Educação (Diálogos) vol. 2 de 1984 relata a necessidade de desconstruir o dualismo: tecnologia x humanismo.
O autor identifica que a posição de Freire (1984b, p. 58) que, “um humanismo sério não contradiz a ciência nem o avanço da tecnologia”, e acrescenta: Ora, os meios de comunicação, os instrumentos tecnológicos – como, por exemplo, a máquina de ensinar – são criaturas nossas, são, invenções do ser humano, através do progresso científico, da historia da ciência. O risco aí seria o de promovê-los, então, a quase fazedores de nós mesmos (FREIRE, 1984b, p. 58).
Em “Educação e Mudança”, Paulo Freire, segundo Alencar (2005), critica a posição de supostos humanistas que acreditam que a tecnologia é “a razão de todos os males do homem moderno” e critica aqueles que optam pela técnica e os que creem que a “perspectiva humanista é uma forma de retardar as soluções mais urgentes”. Para Freire (1976), o humanismo e a tecnologias não podem se excluir, e sim, serem complementares.
O behaviorismo radical enfatiza que o comportamento do ser humano e dos outros organismos é como uma interação entre estímulos do ambiente e respostas do organismo. Esse comportamento é estruturado por três tipos de seleção: Filogenética, ontogenética e cultural. -A seleção filogenética se ancora nos repertórios compartilhados por uma mesma espécie, o qual é definido pela história evolutiva da mesma;
-A seleção ontogenética se denota ao repertório particular de cada indivíduo ou organismo, o qual é determinado por sua história de vida;
-A seleção cultural se mostra pelo repertório compartilhado por indivíduos de uma mesma cultura, sendo este de maior importância para compreender o comportamento humano e de outros animais que apresentam algum tipo de comportamento social.
Assim, apesar de sofrer várias críticas, a teoria behaviorista, também, contribuiu para as ciências.
Uma de suas maiores críticas é quanto à forma como apresenta o desenvolvimento humano, que aconteceria do meio para o indivíduo. O condicionamento operante, assim chamado por Skinner, seria o resultado de um comportamento onde a relação entre a resposta e o estímulo que gera uma consequência, faria tais comportamentos repetirem ou serem negados em outras situações. Tudo dependeria do estímulo e resposta para criar comportamentos adequados. Uns dos grandes equívocos dos behaviorista é que, primeiramente, é necessário compreender as subjetividades humanas, como percepções, sentimentos, desejos, sonhos, entre outros. Esquecerem de conceber que o ser humano não é uma máquina que responde, automaticamente, aos comandos de acordo com alguns estímulos. Temos o que chamamos de livre arbítrio. Os homens não são máquinas. As máquinas e os instrumentos que são inseridas nos contextos tecnológicos, não são as soluções para os desafios que envolvem a humanidade. De forma humorística, este vídeo, mostra uma comédia sobre a teoria Behaviorista ou comportamental radical de Skinner.