sábado, 15 de outubro de 2016

Avanços e Regressos da Tecnologia na Facilitação da vida e do Comportamento Humano


Envoltos em uma era diferente de tudo que já vivemos, em que o acesso às mais diversas fontes de informação e interação estão a um click do nosso alcance. Crescem as preocupações com os resultados desse fenômeno (tecnologia) na vida dos seres humanos a longo prazo.
Não há dúvidas dos benefícios que a inserção da tecnologia trouxe em todos os espaços em que o ser humano interage como, a possibilidade de inovação; estímulo à criatividade; facilitação do processo de cooperação; autonomia no processo de captura, apuração e aprofundamento de conteúdo e consequentemente maior ganho em conhecimento; desenvolvimento do lúdico; operacionalização multitarefa, dentre diversos outros pontos que poderíamos enumerar (OYAMA, 2011).
   
  No entanto, pesquisas recentes vêm demonstrando alterações no comportamento humano, que já se tornaram preocupantes e que podem nos levar a grandes consequências se continuarmos progredindo em direção a elas. Na verdade, talvez o que mais assuste é que não se tenha a dimensão exata das mudanças que podem surgir.

  Dentre as questões que mais tem chamado a atenção é o crescente estímulo a busca de uma falsa identidade por meio das redes. O aumento do número de programas, que acabam por impulsionar esse tipo de comportamento como, Photoshops e aplicativos derivados, que mudam a imagem das pessoas, acrescentando filtros e ferramentas em que pode-se afinar, aumentar, esticar e puxar, tem levado diversas pessoas a uma imagem distorcida da realidade, uma imagem onde o eu não é suficiente .
     
     Essa busca incessante por um padrão de beleza perfeito, fama, reconhecimento e likes, fazem com que muitos de nossos jovens, e porque não dizer, adultos, desenvolvam problemas sérios de distúrbio de personalidade. E isso acaba gerarando pessoas cada vez mais superficiais e dependentes da tecnologia, provocando um isolamento do mundo real.  


    A privacidade é outro ponto que tem chamado atenção e criado muito receio entre as pessoas. Questionamentos como quem tem o controle? Quem fiscaliza? Para onde vão as informações que registramos na rede? Elas são deletadas? São dúvidas que crescem a cada dia. Somente este ano, fomos noticiados diversas vezes de invasão da privacidade por meio da investigação de certas mídias. Onde está nossa privacidade, o nosso livre arbítrio?

    O mundo está cada vez mais imediatista, as pessoas não tem mais paciência com a espera, não sabem contemplar, não desenvolvem comunicação produtiva e os relacionamentos pessoais andam ficando cada dia mais superficiais.

    Além de todos esses aspectos, outra questão que tem sido motivo de estudo é a sobrecarga cognitiva. Lévy (2010) já relatava que a inteligência coletiva pode provocar sobrecarga cognitiva. O acesso demasiado a informações e a exposição a muitos estímulos tem deixado as pessoas cada vez mais ansiosas, estressadas e angustiadas.  


   Nosso cérebro tem ficado sobrecarregado com a quantidade de tempo exposto a incitações. Enquanto acessamos nosso perfil no face, está aberta a caixa de e-mails, o blog favorito, a música que mais gostamos passa no youtube, o whatsapp bombando com a chegada de 150 mensagens de diversos grupos que participamos, e ainda uma pessoa deseja nossa atenção para contar como foi o dia Ou seja, uma quantidade enorme de respostas serão enviadas aos estímulos ofertados. São tantas coisas que precisam ser pensadas que o cérebro está sobrecarregado.

  O pior de tudo é que nossas crianças estão se desenvolvendo neste ambiente extremamente convidativo, mas que não se permite o descanso mental, por isso, vemos cada vez mais crianças agitadas e estressadas.

  Nesse paradoxo, a educação, que já sofre por correr atrás do prejuízo de ter se fechado dentro de si, agora precisa além de aprender a lidar com estas ferramentas, lidar com este novo jovem que está louco, vidrado, neste mundo de possibilidades e satisfação e não tem paciência para nos ouvir.

    E o professor? O professor, meu caro, precisa encontrar o seu valor. Precisa aprender a ter humildade de reconhecer que o conhecimento está ai para ser compartilhado e a partir de então fazer as conexões necessárias. Mas o que diremos então? Somos reféns da capacidade evoluída das máquinas? Não, pelo contrário. Elas não foram criadas para nos substituir e subjugar, antes, estão a nosso serviço. Caberá ao professor experiência, a exploração, o aperfeiçoamento e as tentativas de cada dia, para criar possibilidades de maneira consciente e inserir seus alunos neste mundo, fazendo as ponderações necessárias, afim de que esta criança, jovem, adolescente e adulto não se perca e se torne uma vítima da tecnologia.

  Ademais, meus amigos, sigamos na luta, na espreita, observando e caminhando, escolhendo e ponderando sobre como estamos levando nosso estilo de vida. E ao sinal de qualquer turbulência, que possamos parar e refletir sobre quais escolhas erradas estamos fazendo. Mas que nada tire o prazer de uma boa conversa, de um abraço acolhedor, de um sorriso sincero, da contemplação do universo e da aceitação de que não somos perfeitos, mas em nossa imperfeição a perfeição existe. Somos inteiramente reais!


Referências :
OYAMA, Daniel D. Educação e Cibercultura: Pontos positivos e negativos. São Paulo. Faculdade de Tecnologia de São Paulo. 2011.

Um vídeo sobre a educação:

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