sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Educação Tecnológica e a evolução cética de Paulo Freire

  Analisando um artigo de Maurício Dias Pinto (saiba mais) podemos perceber que o  é feito a partir dos resultados de pesquisa de mestrado de Anderson Fernandes de Alencar. Ele fala sobre as perspectivas e apontamentos de Paulo Freire sobre as inovações tecnológicas. Mostra por meio de trechos de Paulo Freire que não devemos demonizar os avanços tecnológicos, por fazer parte do desenvolvimento humano. 
    
    No entanto, não devemos divinizá-los como algo maior que a própria dignidade humana. Reflete numa lógica freiriana que os avanços tecnológicos, servem atualmente, para os interesses do sistema capitalista, em que o opressor utiliza-se desses instrumentos para a manutenção do mercado, o que gera muitas desigualdades sociais. É um artigo interessante, que argumenta os perigos da tecnologias, numa visão freiriana, por não estar realmente a serviço dos seres humanos. Segundo Alencar (2005), Paulo Freire faz severas críticas como a tecnologia vem sendo apresentada [...] Não se trata, acrescentemos, de inibir a pesquisa e frear os avanços, mas de pô-los a serviço dos seres humanos. 
    
    A aplicação de avanços tecnológicos com o sacrifício de milhares de pessoas é um exemplo a mais de quanto podemos ser transgressores da ética universal do ser humano e o fazemos em favor de uma ética pequena, a do mercado, a do lucro (FREIRE, 1996a, p. 147-148). 
    
    Na visão freiriana, a função dos avanços tecnológicos como parte do desenvolvimento ontológico do ser humano e o perigo do uso, sem uma preocupação com a dimensão humanizada do ser humano. Alencar (2005) evidencia contribuições de Freire sobre a importância do uso das inovações tecnológicas e midiáticas em vários campos do conhecimento, e principalmente, a importância do uso de tecnologia para os educadores. Alencar (2005) reflete que, uma última crítica de Freire à tecnologia encontrada nos livros: "Educação e Mudança de 1976" e "Sobre Educação (Diálogos) vol. 2 de 1984 relata a necessidade de desconstruir o dualismo: tecnologia x humanismo. 
    
    O autor identifica que a posição de Freire (1984b, p. 58) que, “um humanismo sério não contradiz a ciência nem o avanço da tecnologia”, e acrescenta: Ora, os meios de comunicação, os instrumentos tecnológicos – como, por exemplo, a máquina de ensinar – são criaturas nossas, são, invenções do ser humano, através do progresso científico, da historia da ciência. O risco aí seria o de promovê-los, então, a quase fazedores de nós mesmos (FREIRE, 1984b, p. 58). 

    Em “Educação e Mudança”, Paulo Freire, segundo Alencar (2005), critica a posição de supostos humanistas que acreditam que a tecnologia é “a razão de todos os males do homem moderno” e critica aqueles que optam pela técnica e os que creem que a “perspectiva humanista é uma forma de retardar as soluções mais urgentes”. Para Freire (1976), o humanismo e a tecnologias não podem se excluir, e sim, serem complementares.



Uma análise do artigo :

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